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Entre alianças e divergências: a política baiana revela os caminhos do segundo turno

A disputa presidencial movimentou novamente os bastidores da política baiana nesta terça-feira (13). Enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) reunia representantes de dez partidos para ampliar a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma manifestação na Câmara Municipal de Salvador evidenciava como aliados na política estadual e municipal podem seguir caminhos diferentes quando o assunto é Brasília.

O encontro promovido por Jerônimo, em Salvador, reuniu lideranças que haviam integrado diferentes chapas na eleição estadual. A iniciativa buscou fortalecer a mobilização em torno de Lula e demonstrou que os alinhamentos para a Presidência nem sempre acompanham as divisões políticas locais.

“É momento de unir forças, intensificar a mobilização e defender a nossa democracia”, afirmou o governador.

Entre os partidos envolvidos estava o Partido Social Democrático (PSD), cuja direção estadual reafirmou o apoio a Lula, apesar do posicionamento de Ronaldo Caiado, que declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL).

A articulação ocorreu em meio às avaliações de Jerônimo sobre os desafios da campanha presidencial. Em entrevista, o governador havia defendido uma comunicação mais próxima das preocupações cotidianas da população, como alimentação e moradia, para alcançar também eleitores que não necessariamente repetiriam suas escolhas na disputa nacional.

Na oposição, ACM Neto (União Brasil) e o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), mantinham o compromisso anunciado na semana anterior com a candidatura de Flávio Bolsonaro. O ex-prefeito havia prometido mobilizar prefeitos, deputados e outras lideranças baianas, enquanto Bruno confirmou sua participação na campanha ao lado do grupo político.

O alinhamento entre os dois, entretanto, não se estendia a todos os aliados municipais.

O presidente da Câmara Municipal de Salvador, Carlos Muniz (PSDB), apoiou ACM Neto na eleição estadual, mas sempre declarou sua preferência pessoal por Lula na disputa presidencial. Na semana anterior, reafirmou o voto no presidente e anunciou que participaria da campanha por sua reeleição.

A posição não representava rompimento com seus aliados. O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), integrante da aliança estadual de ACM Neto, havia liberado seus filiados para escolher entre os candidatos à Presidência.

Nesta terça-feira, a diferença ganhou uma demonstração pública durante uma sessão ordinária da Câmara. A vereadora Aladilce Souza (PCdoB) fez o conhecido gesto do L em direção a Muniz. O presidente da Casa retribuiu o sinal duas vezes e disse: “Faz o L”.

O episódio não marcou uma mudança de posição, mas tornou visível uma escolha que Muniz já vinha defendendo. Ao comentar seu apoio, voltou a relacioná-lo às próprias origens e à preocupação com a população mais vulnerável.

“Eu não posso negar minhas origens. Sou da Fazenda Grande do Retiro, não voto por mim, voto pelo povo de minha cidade, pelo povo do meu Estado e do meu país”, afirmou.

Assim, enquanto Jerônimo buscava ampliar a frente partidária em torno de Lula, ACM Neto e Bruno Reis seguiam mobilizados pela candidatura de Flávio Bolsonaro. Carlos Muniz, apesar de manter sua ligação política com os dois últimos, reafirmava publicamente uma escolha presidencial diferente.

As movimentações desta terça-feira mostraram que as alianças construídas na Bahia continuam importantes, mas não determinam necessariamente os posicionamentos de seus integrantes na disputa nacional. Afinal, compartilhar o mesmo palanque no estado não significa, obrigatoriamente, seguir o mesmo caminho quando o assunto é Brasília.

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